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Dicionário NáuticoExtraído do site: Porto Gente
A.
(Símbolo designado 'Alfa'.). O Código Internacional de Sinais
estabelece a representação desta letra numa pequena bandeira farpada, também
conhecida por galhardete, nas cores branca e azul. Em qualquer parte do litoral
em que esta bandeira estiver içada, significa: "Mergulhador em ação. Mantenha-se
longe e manobre com cuidado".
ABACÁ.Designa uma fibra
têxtil, flutuante e elástica, também chamada de cânhamo-de-manilha, utilizada na
confecção de cordas para embarcações.
ABAFA.Em
marinharia, o termo é usado para dar voz de comando, significando que os
marinheiros devem ferrar as velas.
ABAFAR.Desmanchar o
'bolso' da vela, que o vento provoca. O mesmo que arrochar o pano de encontro à
verga, diminuindo, assim, a superfície mostrada ao vento.
ABAFAR
O PANO. É o processo que consiste em enrolar o pano da vela,
apertando-o contrário ao mastro, estais ou vergas, objetivando reduzir o 'bolso'
feito na vela pelo vento.
ABALIZAMENTO. Ato ou efeito
de utilizar a bóia ou balizas com finalidade de assinalar ou demarcar canais,
lagos, vaus etc.
ABALROAÇÃO. Na terminologia marítima
geral, significa qualquer choque entre duas embarcações. O assunto é tratado na
segunda parte do Código Comercial Brasileiro (comércio marítimo), artigos 749 e
seguintes. Em direito marítimo, porém, abalroação tem significado restrito,
sendo definido como "choque entre dois navios ou embarcações que navegam ou
estão em condições de navegar, dentro ou fora dos portos". Segundo J. Silva
Costa, o abalroamento pode ser: culposo, quando existe desídia, negligência ou
culpa do capitão ou da guarnição de um dos navios ou aeronaves, ou dos capitães
ou comandantes e tripulantes de ambos os navios ou aeronaves; fortuito, quando
ocorre em consequência de caso fortuito ou força maior; misto ou duvidoso,
quando não se pode determinar a causa do choque ou apurar a quem cabe a
culpa.
ABALROADA. O mesmo que
abalroamento.
ABALROADELA. O mesmo que
abalroamento, quando as avarias são de pequena monta.
ABALROADOR. Diz-se de um
navio que lança a balroa ao costado de outro, para atracar, ou fazer abordagem.
Refere-se também ao navio que causa colisão com outro.
ABALROAMENTO. Colisão
violenta entre duas embarcações. Também se diz abalroada.
ABALROAR. Colidir uma
embarcação, violentamente, com outra embarcação ou cais ou um obstáculo
qualquer. Existem regulamentos estabelecendo a responsabilidade do proprietário
de uma embarcação que abalroa outra. Diz-se da atracação com balroa que é uma
espécie de gancho ligado a cabos, empregando-se vários deles para abordar uma
embarcação. Diz-se ainda de um barco que aferra outro com balros para
abordar.
ABARBADO COM A TERRA.
Diz-se do navio que tem a terra próxima por sotavento (S V).
ABARROTADO. Diz-se dum
navio demasiadamente carregado, até as escotilhas.
ABATER. Ação de desviar,
descair ou afastar o rumo do navio da rota que seguia, por efeito do vento ou da
correnteza.
ABATIDO. Diz-se do navio
que navega em alta velocidade.
ABATIMENTO. Refere-se ao
decaimento lateral do navio em relação ao rumo que segue, sob a ação do vento
não inteiramente favorável, quando não sopra de popa.
ABETO.
Designação comum de várias espécies vegetais, inclusive um tipo de
madeira muito usada na construção naval para mastros, vergas, remos e outras
repartições de bordo.
ABICAR. Ato ou efeito do
navio encalhar ou tocar a praia com o bico de proa.
ABITA. Termo usado quase
sempre no plural, que designa uma peça de madeira, em forma de cruz, debaixo do
castelo de proa do navio, que serve para fixar a amarra da âncora.
ABÓBADA. Diz-se do
prolongamento da embarcação, a contar da coberta até a popa.
ABOCAR, l. Ato ou efeito
de prender, ou segurar a bóia, ou atá-la para, no caso de necessidade, poder
lançá-la à água. 2. Marcar com a bóia o local onde há perigo para a navegação,
ou onde se encontra algum obstáculo.
ABORDAGEM, l. Ato ou
efeito de colocar algo a bordo de um barco contíguo a de outro ou tocar com o
bordo em outro. 2. Ato de abalroar um navio a fim de assaltá-lo, encostar ou
aproximar.
A BORDO. Situação de
encontrar-se no interior de qualquer embarcação (ou aeronave; por extensão,
aplica-se hoje a expressão para trens e ônibus).
ABRA. l. Designa
uma enseada com ancoradouro para embarcações. 2. O mesmo que baía, ancoradouro,
angra.
ABRIGO DE BARCOS. É uma
cobertura feita em enseada, ou lago, para resguardar os barcos de passeio ou
pesca.
ABRIR ÁGUA. Diz-se
quando mina água em quantidade, por rombo em abalroação, ou por desconjuntamento
do casco de uma embarcação.
ABRIR VELAS. Exprime
ação de navegar.
ACÁCIA. Espécie de
madeira pesada que suporta a ação da água marinha, empregada na fabricação de
partes do casco e dos compartimentos.
ACERTAR O COMPASSO DA NAU.
Expressão que significa colocar corretamente a carga na embarcação,
visando a bem navegar, sem pender para um lado ou para o outro.
ACHICAR. l. Ação de
esgotar a água que invadiu um barco. 2. Retirar a água de uma embarcação com uma
vasilha.
ACIDENTE DE NAVEGAÇÃO.
Expressão que designa naufrágio, água aberta, varação, incêndio,
arribada, colisão, encalhe, abalroamento, explosão, avaria ou, ainda, danos nas
embarcações. O assunto é tratado no direito marítimo.
ACOSTAR, l. Diz-se
quando uma embarcação se aproxima de uma costa; navegar junto à costa. 2.
Encostar o barco no cais ou em outra embarcação.
ADERNADO. É quando o
navio está inclinado.
ADERNAMENTO. Diz-se da
inclinação de um navio para um dos seus bordos. O mesmo que banda.
ADERNAR. Ato ou efeito
de inclinar uma embarcação para um dos seus bordos, ficando um lado
submerso.
ADIDO. Representante do
serviço diplomático. Adido naval é aquele que, pertencendo à marinha de guerra
do país que representa, cuida das questões navais do interesse do seu país no
país em que se encontra destacado.
ADORMECER. Ação de
alguém perder o equilíbrio sobre a embarcação.
ADORNAR. Diz-se da
inclinação do navio a sotavento (SV) pela força do vento ou deslocação de
peso.
ADUANA. O mesmo que
alfândega.
ADUANEIRO. De, ou
relativo à aduana ou alfândega. Diz-se do imposto devido pela importação de
mercadorias. É o chamado imposto aduaneiro ou alfandegário.
AD VALOREM. Expressão
latina que significa 'segundo o valor'. Qualifica a cobrança do tributo que tem
por base o valor da mercadoria; é uma tarifa percentual sobre o valor do
produto. Distingue-se do imposto específico em que este é fixo, ainda que maior
ou menor o custo da mercadoria.
AERODINÂMICA. Parte da
física que estuda o ar e outros gases em equilíbrio ou em movimento, quanto às
suas propriedades e características e às forças que exercem sobre os corpos
sólidos neles imersos. Um sólido possui forma aerodinâmica quando o ar oferece
pouca resistência ao seu deslocamento. Assim é que o avanço de um barco a vela
depende, essencialmente, de como ele aproveita o ar e a água em movimento, sendo
que a utilização do vento depende da movimentação dada ao leme e da orientação
das velas.
A FAVOR DA MARÉ.
Expressão que designa a direção da maré, ou significa deslocamento com
a ajuda da maré.
AFERRAR. Ato ou efeito
de ancorar. O mesmo que lançar ferro.
AFIRMATIVA. É uma
bandeira representada nos códigos marítimos de sinalização, significando afirmar
algo.
AFOCINHADO. Embarcação
mergulhada de proa, em virtude do balanço de popa e proa ou do excesso de carga
avante.
AFRETADOR. Diz-se
daquele que tem a posse de uma embarcação a frete, no sentido de aluguel, no
todo ou em parte, com a finalidade de transportar mercadorias, pessoas ou
coisas. Não se deve confundir com fretador, que é a pessoa que dá a embarcação a
frete. Na maioria das vezes, o fretador é o próprio proprietário.
AGENTE DE NAVEGAÇÃO.
Diz-se daquele que representa legalmente uma empresa de navegação e
goza do privilégio para solicitar os vários serviços portuários dentro das
diversas modalidades do sistema e de serviços de outra natureza, a saber:
despachar, receber e entregar cargas aos seus proprietários ou consignatários,
vender passagens, cobrar fretes e agilizar os procedimentos necessários para o
afretamento.
AGENTES DO SERVIÇO GERAL.
Diz-se daqueles profissionais que a bordo têm ocupações autónomas e
podem exercer suas atividades tanto em terra como no navio, a exemplo do médico,
comissário de bordo, empregados de cabine e de restaurante, arrumadeiras de
quarto, chefe de copa, despenseiro etc.
AGITADO. Termo usado
para caracterizar condições próprias do mar, empregado pêlos boletins
meteorológicos.
ÁGUA ABERTA. É quando
falta água doce em um navio, em alto-mar, fato que apresenta um forte motivo
para a arribada forçada, objetivando abastecer a embarcação.
AGUADA. Designa o
abastecimento de água feito pelo navio, antes de iniciar a viagem ou no seu
curso, quando a necessidade assim o exigir.
ÁGUAS ADJACENTES. Diz-se
das águas que banham as margens do território da nação. Tem a mesma definição de
mar adjacente, mar territorial, mar contíguo ou litoral marítimo, águas
territoriais ou jurisdicionais, território flutuante.
ÁGUAS AMASSADAS. São as
águas que se apresentam turvas, barrentas, em virtude da proximidade do fundo do
mar, que é revolvido pelo barco e nele poderá encalhar.
ÁGUAS INTERIORES. Diz-se
das águas existentes dentro do litoral do país, quer sejam marítimas, fluviais
ou lacustres. Compreendem também as margens das ilhas situadas nos limites do
marjurisdicional, isto é, a faixa marítima localizada entre a costa e duzentas
milhas desta, segundo conceito adotado pelo Brasil e alguns países.
ÁGUAS LIVRES. São as
que, por oposição de conceito, não são territoriais ou jurisdicionais, isto é,
não são subordinadas ao domínio ou à jurisdição de qualquer nação, sendo,
portanto, as águas do alto-mar ou pleno oceano, as quais a ninguém
pertencem.
ÁGUAS MORTAS. São as
águas desprovidas de correnteza, nas marés de quarto de lua.
ÁGUAS NÃO-CONTÍGUAS.
Diz-se das águas nacionais ou territoriais, de limites pouco claros com
as águas livres de alto-mar. Essas águas não se comparam com aquelas de outra
nação ou território.
ÁGUAS TERRITORIAIS. O
mesmo que águas adjacentes.
ÁGUAS VIVAS. São aquelas
que apresentam forte correnteza na maré de enchente ou de vazante, ou seja, maré
de lua nova ou cheia, em que as águas sobem ou baixam muito.
AGUÇAR. Ato ou efeito de
vir com a proa do barco para a linha do vento.
ALA E LARGA! Exprime a
voz de manobra para dar uma volta completa com a embarcação, isto é, virar de
bordo, ao atracar um navio no cais.
ALAGADO. Diz-se de uma
embarcação perdida de vista no horizonte; diz-se, também, de qualquer coisa que
esteja debaixo d'água.
ALAR. Ato ou efeito de
exercer tração num cabo para fazer uma manobra; o mesmo que puxar até ficar
teso.
ALAÚDE. Pequena
embarcação usada especialmente na pesca do atum.
ALFÂNDEGA. Repartição
federal instalada nos portos de entrada no país, onde se depositam mercadorias
importadas e se examinam as bagagens de passageiros que estão em trânsito para o
exterior ou chegam ao país; o termo designa toda a repartição ou apenas a sala
de bagagem, mas se estende aos pátios ao ar livre, onde ficam as cargas de
grande porte; pátio alfandegário. O termo designa ainda os direitos
alfandegários; nesta acepção é sinónimo de aduana; a alfândega é a estação
mercadora dos tributos devidos pela importação e exportação de bens, tributos
genericamente designados direitos alfandegários (D. B. Leite.)
ALFÂNDEGA DE PORTO MOLHADO.
É a aduana situada à margem do mar, ou em locais próximos de rios,
lagos ou lagoas.
ALFÂNDEGA DE PORTO SECO.
Diz-se da alfândega que se situa em local distante da margem do mar,
dos rios, lagos ou lagoas.
ALFANDEGAR. Atribuir
função de alfândega a um local, mesmo que afastado de um porto. Despachar na
alfândega ou no armazém (D. B. Leite.).
ALFANDEGAR PORTOS.
Diz-se da criação de alfândegas ou aduanas em portos onde não existem.
Os portos assim aparelhados denominam-se de portos alfándegados ou portos
habilitados.
ALIJAR. Largar objetos
do navio ao mar a fim de aliviá-lo do excesso de
carga.
ALIVIAR O LEME. Ato ou
efeito de diminuir o ângulo do leme com a quilha do navio.
ALMANAQUE NÁUTICO.
Almanaque que fornece ao navegador dados sobre os astros constantes das
diversas tábuas de navegação, dados estes que a navegação astronómica no mar
requer diariamente.
ALMEIDA. Denomina-se a
parte curva do costado do navio, localizada na popa, logo abaixo do painel,
formando com este uma curvatura ou um ângulo obtuso.
ALOJAMENTO.
Compartimento de um navio destinado a alojar mais de quatro
tripulantes.
ALPENDRE. Pátio coberto
que se destina ao armazenamento de carga, ou guarda de utensílios
diversos.
ALTO-MAR. Região do mar
afastada da costa, além do mar territorial. Em termos jurídicos, o alto-mar é
livre, isto é, não está subordinado a qualquer domínio ou jurisdição, já que
está além do mar que compreende as águas interiores, ou o mar territorial de
qualquer nação.
ALTURA. Conjunto das
partes mais altas do navio, considerada a sua simetria acima da linha-d'água,
tais como radar, chaminé, cábrea, topo do mastro
etc.
ALTURA ABSOLUTA. Diz-se
da elevação de um lugar acima do nível do mar.
ALVARENGA. Embarcação
robusta, sem propulsão própria, com fundo chato, utilizada para embarque e
desembarque ou baldeação de cargas.
ALVARENGAGEM. O mesmo
que baldeação. Diz-se da operação de transbordo de mercadorias para uma
alvarenga, a fim de serem conduzidas ao cais ou docas. A alvarengagem é também o
transporte de mercadorias de uma chata ou alvarenga para uma embarcação não
atracada no cais ou docas. Diz-se também da descarga de
água.
AMADOR. Condutor de
embarcações de esporte e recreio, sem caráter profissional, mas obrigado a
inscrever sua embarcação na Capitania dos Portos e possuir carta de
habilitação.
AMANTE. Cabo grosso que
iça ou sustenta no alto qualquer peça de uma embarcação. Ver
amantilho.
AMANTILHO. Aparelho do
navio que serve para içar ou arriar o pau de carga, ou ainda para sustentá-lo no
alto, na altura desejada.
AMARINHADO. l. Diz-se do
navio equipado de marinheiros. 2. Aquele que se habituou ao mar ou que tem
aptidões de marinheiro.
AMARINHAR. l. Ação de
comandar o navio ou equipá-lo de marinheiros. 2. Inscrever-se como marinheiro ou
habituar-se ao mar.
AMARRA. Denomina-se a
corda, corrente ou cabo com que se prende o navio a uma âncora de fundeio. A
amarra é o elemento de ligação entre o navio e a âncora, destinado a arriá-la,
iça-la ou fundeá-la.
AMARRAÇÃO, l. Conjunto
de amarras, de âncoras e bóias usadas para o fundeamento da embarcação, ou cabos
usados para atracar um barco ao cais. 2. Ato ou efeito de passar as espias no
cabeço do cais ou convés de outro navio, no caso de atracação de uma embarcação
a outra.
AMARRA MESTRA. Assim
denominada a amarra principal, ou a mais forte.
AMPLIAÇÃO. Diz-se da
modificação feita em um navio mercante visando ao aumento da sua capacidade. Tal
alteração pode consistir na inserção de uma nova seção, ou na substituição do
seu corpo central por outro mais alongado.
AMPLITUDE DA MARÉ.
Considera-se a amplitude da maré a diferença, em altura, entre a
enchente média mais alta e a vazante média mais baixa, nos lugares onde existe
maré diurna.
AMURA. Designa-se a
parte curva dos costados da embarcação, em que ela se estreita para formar a
proa, ligada à roda de proa - prolongamento da quilha do navio. O mesmo que
bochecha.
AMURADA, l. É o
prolongamento do costado do navio, acima da parede interna do casco. 2. Diz-se
de um dos lados do navio, quando considerado do
externo.
AMURADO. Navio que tem
as amarras fixadas a um dos bordos.
AMURADO A BOMBORDO.
Diz-se do navio orientado de modo a receber o vento da
direita.
AMURADO A ESTIBORDO.
Diz-se do navio orientado de modo que receba o vento da
esquerda.
ÂNCORA. Peça de ferro
forjado, ligada à embarcação através de cabo ou corrente, que, lançada ao fundo
d "água, mantém a mesma parada. Essa barra de ferro, denominada de haste, tem a
sua parte superior ligada a uma parte chamada anete ou aro, que a une à amarra,
e a inferior, que é formada de duas ramificações chamadas de braços. Tais
extremidades levam o nome de patas. Diversas âncoras também têm o cepo, uma peça
que se cruza perpendicularmente com a haste, e que, às vezes, possui esferas na
extremidade visando não aferrar antes das patas.
ÂNCORA ALMIRANTADO.
Denominação dada a um tipo de âncora universalmente usada, que tem as
superfícies das duas patas transversais ao plano dos braços e dotada de cepo
disposto perpendicularmente a esse plano. Chama-se, também, ferro
almirantado.
ÂNCORA DANFORTH. É um
tipo de âncora de braços semelhantes aos das âncoras patentes, contudo, mais
compridos e afilados. Essa âncora é dotada de um cepo colocado na cruz,
paralelamente ao plano dos braços.
ÂNCORA DE JUSANTE.
Diz-se da âncora que está aferrada do lado da
vazante.
ÂNCORA DE LEVA. Âncora
que se coloca na proa de ambos os bordos do navio. A maioria dos navios dispõe
de duas âncoras desse tipo, também chamadas de ferro de
leva.
ÂNCORA DE MONTANTE.
Âncora que fica aferrada ao lado da maré de
montante.
ÂNCORA DE SALVAÇÃO, l.
Âncora que sustém o barco, impedindo que se choque contra a costa. 2.
Diz-se da âncora mais forte e que se lança em último lugar, como grande ou
último recurso, ou ainda a última esperança.
ANCORADO. Diz-se de um
navio que lançou a âncora no mar.
ANCORADOURO. Lugar
destinado ao estacionamento do navio no porto marítimo, fluvial ou lacustre,
desde que a embarcação possa ancorar com segurança. O ancoradouro deve ser
protegido do vento e do movimento das águas, pelo aspecto apropriado de um ponto
da costa, ou pelas edificações construídas especialmente para permitir a
ancoragem. Diz-se, também, fundeadouro.
ÂNCORA FLUTUANTE. Tipo
de aparelho flutuante que lançado pela popa de uma embarcação a mantenha filada
à correnteza, em caso de mau tempo. A âncora flutuante diminui o descaimento dum
navio que esteja no mar, por conta das vagas e do vento. É muito útil em navios
pequenos, devido à conservação do aproamento ao vento e ao mar em mau
tempo.
ANCORAGEM. Denominam-se
os impostos ou taxas pagos pêlos navios ou embarcações por motivo de sua estadia
ou permanência no ancoradouro.
ANCORAR. Ação de largar
a âncora ao fundo, a fim de manter a embarcação
parada.
ANCOROTE. Denominação
dada a uma pequena âncora, que serve para fundear a
embarcação.
ANDAMENTO. Diz-se que
uma embarcação está em andamento quando ela se movimenta para
vante.
ANETE. Designa-se o aro
metálico existente na parte superior da haste das âncoras e das bóias. Nele
prende-se a amarra que as liga à embarcação.
ANGRA. Baía pequena,
mais alongada, formando um porto.
ÂNGULO MÁXIMO DE ESTABILIDADE.
Denominação dada ao maior ângulo de inclinação do navio.
ANTE-A-RÉ. l. Espaço do
navio que vai do mastro grande até a popa. 2. Qualquer posição que se ocupa na
direção da popa.
ANTE-A-VANTE. Posição
que s& ocupa mais perto da proa ou vante.
ANTECÂMARA. Denomina-se
a parte anterior à câmara do navio onde se localizam os camarotes dos oficiais
superiores.
ANTEPORTO. Área marítima
onde os navios ficam fundeados, esperando a hora de atracação ou aguardando o
berço no cais.
ANTI-SUBMARINO.
Embarcação, ou armamento, ou ainda uma operação tática, com o objetivo
de combater submarinos a fim de destruí-los.
APARELHAR. Ato ou efeito
de preparar o navio para dar partida.
APARELHO. Conjunto de
cabos, vergas, enxárcias e cordoalhas das embarcações.
APARELHO DE FUNDEAR E SUSPENDER.
Conjunto de âncoras, amarras, máquinas de suspender, e todos os
acessórios das amarras existentes numa embarcação.
APARELHO DO NAVIO.
Compreende os mastros, vergas, paus de carga, mastaréus, poleame e os
cabos necessários às manobras do navio, bem como à sua
segurança.
APARTAMENTO. Exprime a
distância do navio entre os portos ou costas.
APORTAR. Ação de
conduzir o navio ao porto.
APRESAMENTO. Ato ou
efeito de o navio inimigo ou corsário se apoderar de outro navio ou sua carga.
Diz-se também presa. Já a pilhagem é quando o navio apresador é
pirata.
APROAMENTO. Diz-se do
rumo tomado pelo navio, quando obrigado a seguir uma direção estabelecida ou
aproximar a proa de rumo determinado ou, ainda, da corrente do vento.
AQÜÉM-MAR. Diz-se das
terras situadas do lado de cá do mar.
ARCA. Denomina-se o
calado do navio.
ARDENTE. Diz-se do barco
que, navegando, tende a aproximar-se com a proa da linha do vento, mesmo sem a
ação do timão.
ÁREA DO PORTO.
Compreende a parte terrestre e marítima, contínua e descontínua, das
instalações portuárias, em que as embarcações possam fundear, ou efetuar
operações de carregamento ou de descarga.
ARFAGEM. Balanço da
embarcação, da popa à proa, proveniente do efeito das
ondas.
ARFANTE. Diz-se da
embarcação que baixa ora a popa, ora a proa, ao contrário das
águas.
ARGONAUTA. Aquele que
dirige um barco para fazer excursão por mar ou via fluvial.
ARMAÇÃO, l. Equipagem do
navio. 2. Conjunto de atividades destinadas a aparelhar ou guarnecer o navio, de
modo a poder realizar a viagem projetada. 3. Aparelhos empregados em navegação.
Diz-se, também, aparelhamento ou guarnecimento.
ARMADA. Conjunto de
navios de guerra de um país, também chamado de esquadra ou frota.
ARMADO. Diz-se do navio
que está guarnecido de peças de artilharia.
ARMADOR. Denomina-se
aquele que física ou juridicamente, com recursos próprios, equipa, mantém e
explora comercialmente as embarcações mercantis. E a empresa proprietária do
navio que tem como objetivo transportar mercadorias.
ARMAR. Ato ou efeito de
preparar uma embarcação com equipamento necessário para a
navegação.
ARMAZÉM. Palavra de
origem árabe, al-ma khawi, que quer dizer; a casa, o galpão ou construção onde
se depositam mercadorias ou outros objetos. Denomina-se também o estabelecimento
comercial onde se vendem mercadorias. O mesmo que trapiches, entrepostos,
armazéns de alfândegas, armazéns gerais e
reguladores.
ARMAZÉM ALFANDEGADO.
Armazém próprio para receber a carga
estrangeira.
ARMAZENAGEM. Compreende
a fiel guarda de mercadoria recebida em depósito pela administração do porto.
Compreende também a abertura dos volumes e a manipulação das mercadorias para a
conferência aduaneira, a inspeção sanitária e outros casos previstos, além do
recondicionamento posterior.
ARMAZENAGEM DE EXPORTAÇÃO.
Aquela a que esta sujeita a mercadoria que a administração do porto
recebe em depósito para posterior embarque em navegação de longo curso,
cabotagem ou interior.
ARMAZENAGEM DE IMPORTAÇÃO.
Aquela a que está sujeita a mercadoria recebida por meio de longo
curso, cabotagem, interior ou, ainda, a mercadoria em trânsito e a de navios
arribados.
ARMAZENAGEM EM ARMAZÉNS GERAIS.
Compreende a fiel guarda e conservação de mercadorias que a
administração do porto recebe em depósito por conveniência dos respectivos
donos.
ARMAZENAGEM ESPECIAL.
Segundo estabelece a tarifa dos portos, na tabela 'G' de taxas devidas
pêlos donos das mercadorias, "é a fiel guarda e conservação de mercadorias
nacionais, nacionalizadas ou estrangeiras, em armazéns ou instalações especiais,
sujeitas a regime particular quanto às taxas, à realização da movimentação e
benefício das mercadorias e à fiscalização aduaneira. São mercadorias como
óleos, inflamáveis, explosivas, corrosivas ou agressivas
etc".
ARMAZENAGEM EXTERNA. De
acordo com o que estabelece a tarifa dos portos, na tabela 'E' de taxas devidas
pêlos donos das mercadorias, "é a fiel guarda e conservação de mercadorias
nacionais ou nacionalizadas, de importação ou exportação, que a administração do
porto recebe em depósito por conveniência dos respectivos donos em armazéns
não-alfandegados".
ARMAZENAGEM INTERNA.
Conforme estabelece a tarifa dos portos, na sua tabela 'D' de taxas
devidas pêlos donos das mercadorias, "é a fiel guarda e conservação de
mercadorias de importação do estrangeiro, ainda sujeitas ao desembaraço
aduaneiro, em armazéns, alpendres ou pátios alfandegados, onde mercadorias
nacionais ou nacionalizadas, importadas ou cabotagem, em armazéns, alpendres ou
pátios não-alfandegados, mas que sejam destinados ao trânsito ou ao recebimento
e pronta
entrega dessas mercadorias".
ARMAZENAGEM SOB A FORMA DE
ARMAZÉNS GERAIS. Compreende a fiel guarda de mercadoria recebida nas
instalações portuárias para depósito, sob as condições e normas legais
concernentes ao regime de armazéns gerais. O regime estabelecido neste contexto
só se aplica quando for conveniente ao porto e ao interesse do dono da
mercadoria.
ARMEIRO. Marinheiro, ou
oficial inferior da artilharia da marinha, embarcado a bordo dos navios de
guerra, para cuidar da limpeza das armas.
À ROÇA. Diz-se de uma
âncora pronta para ser lançada rapidamente à água.
ARPÃO. Gancho de ferro
para ferrear embarcações, estacada, cais etc., objetivando facilitar a manobra
do barco, permitir a abordagem, conservar o contato com outra embarcação
etc.
ARQUEAÇÃO. Medição do
volume dos espaços de um navio. A arqueação é a capacidade útil de uma
embarcação, representada pelo volume do espaço disponível para transportar
pessoas ou mercadorias, consideradas assim, como arqueação bruta, enquanto que a
arqueação líquida é dedução dos
espaços destinados à tripulação, acessórios e peças de navegação. A medida da
arqueação é expressa, convencionalmente, em unidades de cem pés cúbicos
ingleses, ou seja, 2,83m3, equivalente a uma tonelada de
arqueação.
ARRAIS. É o mestre de
uma embarcação de pequena tonelagem.
ARRAIS AMADOR. É a
pessoa maior de 16 anos, habilitada a conduzir embarcações a vela e a motor, de
esporte e recreio, dentro dos limites de determinada baía, enseada, porto, rio
ou lagos, conforme determinação legal.
ARRAIS DE TERRA. Diz-se
do mestre que mantém sob suas ordens os diferentes mestres de barcos
pertencentes a um mesmo dono ou a uma companhia, distribuindo entre eles os
serviços competentes. É a oposição a arrais de
barco.
ARRANCAR, l. Iniciar a
marcha de uma embarcação. 2. Ação de içar o ferro ou suspender o ferro. 3.
Começar a mover o navio ao sair do estaleiro.
ARRANCAR A VAGA.
Conceder a uma embarcação maior velocidade, isto é, remando com mais
força.
ARRASADO EM POPA. Diz-se
do navio que toma em cheio o vento em popa.
ARRASAR. Diz-se quando
navio ou qualquer embarcação, vista de terra firme, vai desaparecendo de vista,
ao longo do mar.
ARRASTANDO O FERRO.
Navio que, ao mover-se, obedecendo a um controle, arrasta o ferro sobre
o fundo do mar.
ARRIAR. Fazer descer um
objeto qualquer, preso a um cabo.
ARRIAR FILAME. Ação de
soltar a maior porção da amarra.
ARRIBA! Brado para
acordar os tripulantes que estão dormindo, ou para chamá-los para subir às
enxárcias, ou mandar preparar-se para arribar.
ARRIBADA. Quando uma
embarcação, por qualquer motivo, entra num porto que não é de seu destino, nem
de sua escala.
ARRIBADA FORÇADA.
Entrada de um navio em porto diverso do seu destino, para abrigar-se do
mau tempo, ou por outros motivos que o impeçam de continuar a viagem. Contrária
à arribada voluntária, ocorre por circunstâncias alheias à vontade do capitão do
navio. São causas justas para arribada forçada: falta de víveres ou aguada;
qualquer acidente acontecido à equipagem, carga ou navio, que impossibilite este
de continuar a viagem; temor fundado de inimigo ou pirata.
ARRIBADA VOLUNTÁRIA.
Entrada de um navio em porto que não é de seu destino, nem de sua
escala. Segundo Silva Costa, ela resulta de única e exclusiva vontade do capitão
do navio.
ARROJO. Restos de
naufrágios que vão parar na praia.
ARRUMAÇÃO, l. Modo de
arrumar de maneira metódica a carga que vai ser transportada em um navio, o qual
obedece a normas especiais contidas na lei comercial. A arrumação é de grande
importância para a estabilidade da embarcação e para evitar a ocorrência de
avarias. 2. Diz-se também do conjunto de sinais atmosféricos pêlos quais os
marítimos conhecem a direção em que existe terra.
ARRUMADOR. Aquele que se
encarrega de movimentar ou arrumar a carga no porão do navio. É também chamado
de estivador.
ARRUMAR. Modo de bem
distribuir ou colocar a carga no navio.
ARTE DE MARINHEIRO. Arte
de aparelhar um navio a contento.
ARVORAR. Içar uma
bandeira no navio.
ÁRVORE. Mastro ou pela
do mastro de um navio.
ARVOREDO. Diz-se da
mastreação do navio.
ÁRVORE SECA. Diz-se de
um mastro que não tem vela.
ASTRONOMIA NÁUTICA. A
astronomia náutica permite a quem está no exercício de uma navegação astronómica
a resolução de fàtores ligados à orientação no mar.
ATRACAÇÃO. Ato ou efeito
de um navio atracar num porto ou terminal privativo, a fim de realizar a
operação de carregamento e descarregamento de mercadoria. Conforme estabelece a
tarifa dos portos, na tabela 'B' de taxas devidas pelo armador, "é a vantagem
que usufruem os navios de utilizar-se do cais, ou pontes de acostagem, para
realizarem diretamente, de ou para terra, suas operações de carga ou
descarga".
ATRACADO. Quando um
navio está atracado ou encostado a um cais ou a outro navio. Quando isto ocorre,
diz-se que o navio está a contrabordo deste.
ATRACAR. Encostar em
outra embarcação (contrabordo), de um molhe ou de um cais, para embarque ou
desembarque de pessoas ou mercadorias, fixando a embarcação por meio de cabos ou
espias, para não jogar com o balanço provocado pelas ondas.
ATRAVESSAR, l. Diz-se da
embarcação que perde o rumo que seguia. 2. Dar o costado ao vento e
ondas.
AUDITOR DA MARINHA OU DA ARMADA.
Juiz de direito agregado aos tribunais marítimos ou da
armada.
AÜTOGUINDASTE.
Denomina-se um equipamento utilizado nos portos, dotado de
flexibilidade e mobilidade. É autopropulsor, possuindo grande capacidade de
movimentação de carga tanto horizontal como verticalmente. Este equipamento tem
sua utilização mais intensamente encontrada nas operações de embarque e
desembarque de cargas pesadas. Existem três tipos básicos de autoguindaste:
guindaste sobre caminhão ou truck sua capacidade varia de cem a 180 toneladas;
guindaste sobre rodas - sua capacidade gira em torno de 35 toneladas; e o
guindaste sobre esteiras, cuja capacidade varia de 150 a 250
toneladas.
AUTONOMIA. Capacidade
que um navio de guerra tem de permanecer no mar por um longo espaço de tempo,
sem se reabastecer. É determinada pelo raio de ação e a capacidade de aguada e
suprimentos, inclusive capacidade das câmaras frigoríficas.
AUXILIARES MARÍTIMOS.
Aqueles que exercem atividades profissionais ou técnicas nos serviços
auxiliares de praticagem, no reparo de embarcações ou na indústria de construção
naval.
AVANTE. Parte do navio
em direção à proa.
AVARIA. Prejuízos e
danos causados aos navios e mercadorias, por violência, choque ou outras causas
diversas.
AVENTUREIRO. Denomina-se
um navio comercial que em tempo de guerra se arrisca, expondo-se ao apresamento.
AVISO. Navio ligeiro, de
marinha de guerra, encarregado de levar ordens, correspondências ou volumes das
autoridades para os seus delegados. Esse navio de guerra é de pequeno porte,
dotado de pouco ou nenhum armamento.
AXIÔMETRO. Aparelho do
navio dotado de mostrador e ponteiro, colocado junto à roda do leme a fim de
indicar o seu ângulo (do leme).